Boletim de Ocorrências #24
Claro que o cara capenga, com uma tala na perna, vai escolher atravessar a rua onde? Na faixa de segurança ou no meio do trânsito? Depois faz que nem na música do Chico Buarque, morre atrapalhando o tráfego e não sabe por quê.
Bem, na música do Chico também tem a ver com o mundo do trabalho. Mas já falei de trabalho ontem e que não quero falar de novo hoje.
Estava eu voltando do pilates de bicicleta, quando cruzei esse cara com uma tala na perna, atravessando a rua no meio dos carros. Tudo bem, na verdade. Quase não tinha carros. E eu também faço isso o tempo inteiro. Inclusive, quando estou de bicicleta, sou um perigo para a sociedade. Só quis começar esse boletim reclamando, pra variar um pouco.
Aliás, eu de bicicleta, eu de carro, eu de carrinho de supermercado... qualquer coisa que você me der pra dirigir, eu viro um perigo para a sociedade. Coitadas das pessoas que já estiveram comigo em um carro. Comigo, corre-se o risco de o carro apagar bem no cruzamento movimentado. Ou de ter um pneu rasgado, em um trajeto rapidinho de 5 minutos em linha reta pra buscar um Gatorade no mercadinho. Ou coisas do tipo. Corre-se o risco! Não significa que tenha acontecido. São situações hipotéticas. Prefiro deixar claro, caso você seja minha cunhada e esteja lendo isso.
Ou também se você for minha prima que me empresta o carro, quando vou ao Brasil. Que confiança! Nem eu mesmo teria essa confiança em mim.
Ok, estou exagerando, como na minha irritação com o cara de perna quebrada que atravessa a rua. A coisa não é tão grave assim. Até aqui na França eu já dirigi um pouco e todos sobreviveram. Mas essa história de que nem eu teria tanta confiança em mim, me lembra o casamento da Lari e do André. Ela pediu para eu celebrar a cerimônia. Ele estava de acordo. E lá fui eu. Mas gente, em nenhum momento ela quis saber o que eu ia fazer! Tipo, eu aceitei e na hora poderia ter feito o que quisesse! Na frente de todos os convidados! Poderia ter feito uma cerimônia bem hippie. Um ritual cabalístico. Ou simplesmente algo de mau gosto, ou que não tivesse nada a ver com o casal! Sei lá. Até eu posso ter um pouco de mau gosto dentro de mim.
Mas no fim das contas, fiz apenas um discurso. E foi muito bonito. E penso que eles tiveram razão de confiar em mim.
Então, pode confiar em mim, viu? Pode me passar a chave do seu carro. Não é porque eu derrubei a baliza da frente e a baliza de trás na hora de estacionar, que eu não mereço sua confiança. Ou porque o carro apagou na hora de arrancar, na subida do morro. Se até o inspetor que estava comigo para fazer a carteira de motorista não viu problema nisso, quem somos nós para discutir.
Mas se você for o cara capenga que gosta de atravessar a rua no meio do trânsito quando está de perna quebrada, tenha cuidado! Pode ser que eu esteja por perto e, às vezes, não é bom abusar da confiança.
Ou abusar da autoconfiança. Porque abuso de confiança já é outro assunto, né? Pra outro dia.
Bom fim de semana. Até segunda!

Eu confio até de olho fechado!... ;) bom final de semana! Linda foto.
ResponderExcluirUm olho só ou os dois? :) ❤️❤️❤️
ExcluirAdorei o texto! E a prima sempre te emprestara o carro no Brasil! Sem medo kkkk. Te amo
ResponderExcluirEita, corajosa! ❤️
Excluir🤣🤣🤣 Eu confio! Aliás lembro todos os dias de você quando vejo as duas barrinhas de cobre maciço em cima da imagem de Jesus talhada em madeira que tenho em meu quarto: con + fio . Lembra?
ResponderExcluirClaro que lembro! Eu não sei mais onde estão as minhas. Procurei, quando escrevi este texto, mas acho que estão perdidas, infelizmente.
ExcluirEu lembro de ti montando o discurso do casamento da Lari com o André. Era tu envolvido com a folha de papel, um carinho enorme, o desafio de eliminar a palavra “não” do texto. Eu lembro de pensar que isso era amor em amizade e gostei de te ter perto de mim.
ResponderExcluirAmor em amizade... que lindo! E que legal tu lembrar da historia da palavra não :) Sempre bom te ter por perto também ❤️
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