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Mostrando postagens de junho, 2026

Boletim de ocorrências #96

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Relendo o texto sobre os prédios em chamas fiquei me perguntando se era eu quem tinha causado aqueles incêndios. Provavelmente... o sonho era meu, então eu sou o centro de tudo, né? Além disso, eu tenho um histórico de piromania. Sim. Na minha infância, quase coloquei fogo na casa da irmã da minha mãe. Para a minha defesa, aquele vaso com imensas flores de papel crepon na mesinha perto da janela, quase encostando na cortina que balançava com o ventinho e, sobre a mesa, o isqueiro (ou seria uma caixa de fósforos?) eram um convite, se não uma intimação ao crime. E eu não estava sozinho. Nana , minha parceira de sempre, da infância e depois da adolescência, estava ali. C úmplice que, se não aprovava completamente a ideia de queimar as flores de papel da sua mãe, ficou ao meu lado, apenas observando. Testemunha silenciosa e curiosa, que não me denunciou no momento da investigação familiar que me incriminou. Logo depois de apagar o fogo que, como era de se esperar, passou das plantas...

Boletim de ocorrências #95

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O pessoal está muito instagramável... eu não consigo acompanhar. Por exemplo, uma coisa que me irrita nos filmes e nas séries é que as pessoas estão sempre com roupa nova , né? Tudo é limpinho, não está amassado nem desbotado. A não ser que o personagem seja um indigente, um drogado, um traficante... uma pessoa normal (o homem médio, como se dizia quando eu estudava direito, lá no meio dos anos 90) vai estar sempre completamente direitinha, sem um fio de cabelo fora do lugar. Claro, tem toda uma produção para a imagem ficar esteticamente agradável, e as marcas estão ali colocando seus produtos para fazer uma publicidade disfarçada, então todo mundo tem que estar bonito, sem nenhuma manchinha. Só que de repente, me dei conta que na rua, na vida como ela é, as pessoas também estão assim, com cara de roupa que está sendo usada pela primeira vez. Talvez, porque dá para comprar tudo na shein. Roupa barata que às vezes você só consegue usar uma vez e já tem que jogar fora. Está tudo novo, se...

Boletim de ocorrências #94

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Esta semana eu estava em formação. Que estranha esta expressão “estar em formação”. Fiquei me imaginando em uma espécie de bolha, como um casulo ou uma bolsa amniótica, e meu corpo desenvolvendo novos órgãos. Me preparando para eclodir. Novo, diferente, transformado. Talvez eu esteja fazendo uma tradução literal do francês ou talvez a gente diga assim em português também, para explicar que está fazendo um curso. Não sei. Então, esta semana eu estava fazendo um curso. O que não deixa de ser uma espécie de bolha, como eu disse antes. Um espaço e um tempo dedicados ao nosso desenvolvimento e do qual, supostamente, a gente sai transformado. Então é isso mesmo, eu estava em formação. Uma formação do meu sindicato sobre como combater as ideias da extrema direita no mundo do trabalho. Interessante, não é mesmo? Bem, as ideias da extrema direita estão sendo difundidas cada vez mais e de forma mais intensa, no mundo inteiro. Fica difícil aprofundar o assunto em apenas 4 dias. Antes de des...