Boletim de ocorrências #90
Ultimamente, tenho pensado bastante no futuro. E o que é o futuro? Doença e morte. Pelo menos, morte, é o futuro certo de todo mundo.
Desculpe, não queria pesar o clima. Sei que para as pessoas que frequentam o blog, este tema pode ser um gatilho. Estamos em uma idade em que a morte já faz parte da vida, não é mais aquela coisa distante, que a gente nem consegue imaginar direito. Agora, nos demos conta, a coisa existe mesmo, é real. Que seja a própria morte ou a das pessoas queridas que temos em volta. E estes momentos são extremamente difíceis de atravessar e transformadores. No meu caso, uma das etapas desta experiência são as páginas vazias.
Quando mencionei o futuro, não estava pensando necessariamente em morte, mas em como as coisas vão ser quando eu ficar velho. Será que vou ter um infarto, um câncer, será que vou quebrar a bacia, perder um braço, uma perna, a memória? Bem, admito que não é com esse tipo de reflexão que vou deixar a conversa mais leve. Mas me pergunto como eu vou reagir diante dessas perdas, será que eu vou lutar, será que eu vou abandonar a luta, será que vou ser um guerreiro, como dizem? Eu não sei.
Tenho observado, mais ou menos próximas de mim, pessoas que enfrentam essas situações de formas que considero muito bonitas. Com otimismo, com esperança, com bom humor, com amor. São seres humanos superiores. Acho que eu seria bem diferente, mas nunca se sabe. Pode ser que na hora H eu me surpreenda e me revele melhor do que me imagino.
Enfim, não sei se “melhor” é o termo apropriado. Um guerreiro talvez não seja nem melhor nem pior que alguém que se deixa levar. Resiliente ou resignado, creio que não há escala de valor. Com os limões que a vida nos dá, nem todo mundo precisa fazer uma limonada. Também tem torta de limão, caipirinha, compota, raspas de limão... cada processo, uma vivência. O importante é encontrar sua própria maneira de lidar e aprender algo sobre si.
Penso agora em alguns livros. Especialmente “Outras vidas que não a minha”, do Emmanuel Carrère. Foi o primeiro livro que li desse autor e fiquei maravilhado. Don’t worry, no spoilers this time. Vou apenas dizer que é sobre momentos em que a vida bascula. Em um registro mais pesado, tem “Marte” do Fritz Zorn, mas esse, realmente, pode deixar o leitor meio para baixo. Não recomendo.Mas como a intenção hoje não era de pesar o clima, vou tentar variar o tema. Por exemplo: passar uma raiva tão forte que chega a desejar a morte de alguém. Eu, que tenho tendência a ser ligeiramente rancoroso, já pensei nisso. Claro, com o tempo a sensação fica mais amena. Relativizo e mudo de ideia. Até porque esse tipo de pensamento não faz bem. Mas se a gente for um pouco mais longe neste raciocínio, desejar a morte de alguém, no fim das contas é um desejo que de qualquer forma vai se realizar. Ou seja, acaba sendo um sucesso. Com ou sem estrela cadente, com ou sem moedinha em uma fonte milagrosa, com ou sem pedido na hora de assoprar a vela de aniversário, seu desejo se realizará. Parabéns.
Nossa, está difícil, hoje. Tenho a impressão de que estou me afundando em uma situação embaraçosa. Sabe aqueles momentos em que você comete uma gafe, tenta consertar e vai piorando cada vez mais? Pois, assim mesmo. A meu favor, posso explicar que estou em um momento delicado, pois falta uma semana para o fim do meu inferno astral. Isso justifica tudo, não?
Ah-há... então era isso! O tempo inteiro, eu estava querendo chamar sua atenção para meu aniversário, na semana que vem! Fui dando dicas sutis ao longo do texto. Se você não percebeu é porque não leu com atenção. Olha só: falei em ficar mais velho, idade, desejos, vela de aniversário, torta e até parabéns... só não viu quem não quis.
Então, vamos parando por aqui, antes que fique pior. Semana que vem, prometo, volto mais otimista. E mais maduro.
Inté.

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