Boletim de Ocorrências #55

Esta noite, primeira noite de um novo ano, tive um sonho que me deixou feliz.

Sonhei que alguém me dava um presente. Mas não um simples presente: era um conjunto de cartões postais. Mas não um conjunto de cartões postais qualquer: eram cartões postais com ilustrações. Mas não apenas isso: eram ilustrações de cada uma das fotos publicadas em cada um dos boletins deste blog.

Era lindo! Desde o papel do cartão, branco, opaco, com uma textura agradável ao toque, até os desenhos, simples, coloridos e carregados de leveza (será possível estar carregado de leveza?), tudo me emocionou imediatamente. Imediatamente reconheci as imagens deste blog, abandonado há mais de seis meses. Abandonado ou suspenso? Porque continua presente e pulsante nos meus desejos. E me faz falta.

Então, vi o primeiro cartão e já comecei a chorar. Chorar de gratidão. Gratidão por algo tão especial para mim ter se transformado em um objeto tão precioso, feito por outra pessoa.

Mas o mais curioso é que esse primeiro cartão ilustrava uma imagem que não faz parte do blog. No sonho, não me dei conta disso. Penso nisso agora, ao escrever. No sonho, apenas reconheci este desenho que era um desenho de dois pés na terra. Talvez plantados, talvez apenas descansando no chão, não sei bem. Mas essa imagem me inspira diversas metáforas. Estar debaixo da terra pode ser algo ruim, que te impede o movimento, ou que está morto e enterrado. Por outro lado, estar plantado permite criar raízes, estabelecer laços com o que te envolve, se desenvolver, se transformar e entrar em um ciclo de produção.

O que será que meu inconsciente quis dizer ao enviar em sonho uma pessoa desconhecida para me oferecer, transformadas, as imagens que eu produzi ao longo dos 54 boletins de ocorrência do blog?

Ao descrever essa primeira imagem, também me vem uma lembrança. Lembro de um conselho que o querido Irion Nolasco me deu durante a orientação do meu projeto de graduação na faculdade de teatro. Ele me disse algo como “chegar ao céu sem tirar os pés do chão”.

Essa frase me ajudou a concretizar todas as ideias que eu tinha na minha cabeça. Manter o centro, os pés no chão, para realizar os voos mais inesperados que minha imaginação podia me oferecer. Paradoxalmente, a magia não acontece por um toque de mágica. Ela se constrói com trabalho.

Agora também penso no meu desejo de ano novo. Este ano, gostaria... Gostaria? Quero! Quero que essa massa de medo na qual me sinto imerso há tempos e que me deixa pesado e inflexível se transforme. Quero que o medo se transforme no seu contrário, que para mim não é a coragem, mas a confiança, a segurança.

Quero... mas a magia não acontece por um toque de mágica. No meu desejo, faltou incluir um projeto de ação para que ele saia do mundo das aspirações e coloque o pé na realidade.

E talvez uma das ações para passar do medo à segurança poderia ser voltar a escrever aqui, começar uma segunda temporada do blog.

Registrar dúvidas e impressões, vazios e transbordamentos.

Produzir beleza.

Estar carregado de leveza.

Né?

Vamos lá!

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