Boletim de ocorrências #85
Voltando para casa pela rua perpendicular, chego naquela esquina de um restaurante icônico, chez Arsène, j á fechado quando mudei para este apartamento, h á mais de dez anos, mas cujo interior permanece intacto, como um arquivo, uma reminiscência de tudo o que acontecia ali nas décadas passadas. Ou como se, de um dia para o outro, fosse preciso passar a chave na porta e fugir, abandonando tudo como estava: a louça por lavar, a garrafa d' água pela metade, o pão em um saco sobre a mesa. Deixar tudo para tr ás. Do outro lado da rua, vejo um pequeno grupo de homens, de cócoras. Do meio desse pequeno grupo de homens de c ó coras, sobe uma nuvem de fumaça que vem em minha direção. Penso nos vendedores ambulantes de espetinho que se instalam na saída do metrô e me preparo para sentir aquele odor típico de defumado, mas o perfume se dispersa antes de chegar até mim. Daquele grupo, dois homens se levantam e vão embora deixando dois outros ali, deitados no meio da rua. Um deles, in...