Boletim de ocorrências #96
Relendo o texto sobre os prédios em chamas fiquei me perguntando se era eu quem tinha causado aqueles incêndios. Provavelmente... o sonho era meu, então eu sou o centro de tudo, né? Além disso, eu tenho um histórico de piromania. Sim. Na minha infância, quase coloquei fogo na casa da irmã da minha mãe. Para a minha defesa, aquele vaso com imensas flores de papel crepon na mesinha perto da janela, quase encostando na cortina que balançava com o ventinho e, sobre a mesa, o isqueiro (ou seria uma caixa de fósforos?) eram um convite, se não uma intimação ao crime. E eu não estava sozinho. Nana , minha parceira de sempre, da infância e depois da adolescência, estava ali. C úmplice que, se não aprovava completamente a ideia de queimar as flores de papel da sua mãe, ficou ao meu lado, apenas observando. Testemunha silenciosa e curiosa, que não me denunciou no momento da investigação familiar que me incriminou. Logo depois de apagar o fogo que, como era de se esperar, passou das plantas...