Boletim de ocorrências #84 (parte 2)
Será? Será que eu estava mesmo sendo agredido ? Mas por que não fiz nada para impedir? Aguentei até o fim, sendo atravessado por uma avalanche de sentimentos e pensamentos confusos em relação ao massagista, mas também a mim mesmo e que se acumulavam em uma massa caótica. Vergonha. Dúvida. Medo. Humilhação. Culpa. Irritação. Incredulidade. Ressentimento. Mais do que aguentar até o fim: quando saí da posição de bruços para continuar a massagem na parte anterior do corpo, tentei mostrar um rosto tranquilo e relaxado, com o leve sorriso descontraído que exibem aqueles que não estão sendo mortificados. Mantive os olhos fechados para evitar mostrar o que estava sentindo. Espelho da alma, dizem. Achei que essa minha atitude acalmaria o massagista, que ele a interpretaria como um elogio por seu trabalho e suspenderia minha pena. Mas o efeito, se realmente houve algum efeito, foi contrário. A massagem continuou sendo violenta e, agora, ele também se atacava ao meu rosto. Espremia com energi...