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Mostrando postagens de maio, 2026

Boletim de ocorrências #93

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Tema de hoje: lição de estilo (opa, quase escrevi “lixão” de estilo... ato falho ou spoiler?) Será que sou uma pessoa estilosa? Durante muito tempo, minha mãe comprava minhas roupas. Eu não gostava de praticamente nada daquilo. Muito grande, muito sério... Em todo caso, aquelas roupas não refletiam como eu me sentia. E como eu me sentia? Não sei direito. Confuso... perdido... com medo. Talvez, se eu tivesse feito o exercício de escolher minhas roupas, teria desenvolvido a escuta necessária para entender melhor quem eu era e muita coisa teria sido mais fácil depois. Nossa, quando comecei a escrever, não tinha pensado nisso. Mas vocês, que têm filhos, a partir de que momento deram certa autonomia para eles escolherem o que vestir? Para manifestarem suas personalidades e construírem a imagem que queriam passar de si? Claro, dentro das possibilidades financeiras de cada família. Se você nasceu (ou se publicidade fez você pensar que nasceu) com gosto de rico em uma família de assalariad...

Boletim de ocorrências #92

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Bem, agora que sou um senhor de 50 anos, o que fazer? Imagino que, desde a semana passada, tudo o que eu diga ou faça, qualquer forma de expressão que venha de mim, seja uma lição de vida. Um exemplo de sabedoria, um aprendizado para quem estiver me vendo, me escutando ou me lendo. É isso que acontece, não? Não é assim? A gente não se torna automaticamente um ser superior que, após meio século de amadurecimento, sai do casulo pronto para iluminar tudo ao nosso redor e transformar o mundo em um lugar melhor e mais bonito de se viver? No que depender de mim não garanto estar à atura desta missão inata de todo ser humano, mas vou fazer o que estiver ao meu alcance. Por enquanto, o que está ao meu alcance é bastante simples: avançar sem atrapalhar os outros. Não ser a pedra no caminho de ninguém me parece já ser algo que, se não faz o mundo se tornar melhor, pelo menos não faz dele um lugar pior. Ficar quieto também me parece bem. Não preciso dar minha opinião sobre tudo o que me cerca...

Boletim de ocorrências #91

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Quando você ler estas palavras, eu não estarei mais aqui. Não estarei mais aqui na frente do meu computador. Há chances de eu estar no alto de uma montanha, na borda da cratera de um vulcão. Observando as entranhas da terra, talvez em ebulição, talvez subindo lentamente, talvez se preparando para cuspir destruição no que está entorno. Ou então, estarei sentado em um banco de pedra, observando à distância irmãos em um duelo mortal, heróis descendo aos infernos ou o sacrifício de virgens inocentes. Também posso estar simplesmente como um corpo abandonado a beira-mar, deitado na areia sob o sol. Ou flutuando nas águas azuladas do mediterrâneo. Sim, você entendeu. Estou passando meu aniversário na Sicília. Além dessas possibilidades que eu mencionei, tem muitas outras coisas que vou fazer aqui na Itália e que podem se resumir em duas palavras: arancini e gelato. Ou seja, farniente , dolce vita, mangia che te fa bene . Já faz alguns anos que no dia do meu aniversário, realizo um ...

Boletim de ocorrências #90

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Ultimamente, tenho pensado bastante no futuro. E o que é o futuro? Doença e morte. Pelo menos, morte, é o futuro certo de todo mundo. Desculpe, não queria pesar o clima. Sei que para as pessoas que frequentam o blog, este tema pode ser um gatilho. Estamos em uma idade em que a morte já faz parte da vida, não é mais aquela coisa distante, que a gente nem consegue imaginar direito. Agora, nos demos conta, a coisa existe mesmo, é real. Que seja a própria morte ou a das pessoas queridas que temos em volta. E estes momentos são extremamente difíceis de atravessar e transformadores. No meu caso, uma das etapas desta experiência são as páginas vazias. Quando mencionei o futuro, não estava pensando necessariamente em morte, mas em como as coisas vão ser quando eu ficar velho. Será que vou ter um infarto, um câncer, será que vou quebrar a bacia, perder um braço, uma perna, a memória? Bem, admito que não é com esse tipo de reflexão que vou deixar a conversa mais leve. Mas me pergunto como e...