Boletim de ocorrências #93

Tema de hoje: lição de estilo (opa, quase escrevi “lixão” de estilo... ato falho ou spoiler?)

Será que sou uma pessoa estilosa? Durante muito tempo, minha mãe comprava minhas roupas. Eu não gostava de praticamente nada daquilo. Muito grande, muito sério... Em todo caso, aquelas roupas não refletiam como eu me sentia. E como eu me sentia? Não sei direito. Confuso... perdido... com medo. Talvez, se eu tivesse feito o exercício de escolher minhas roupas, teria desenvolvido a escuta necessária para entender melhor quem eu era e muita coisa teria sido mais fácil depois.

Nossa, quando comecei a escrever, não tinha pensado nisso. Mas vocês, que têm filhos, a partir de que momento deram certa autonomia para eles escolherem o que vestir? Para manifestarem suas personalidades e construírem a imagem que queriam passar de si? Claro, dentro das possibilidades financeiras de cada família. Se você nasceu (ou se publicidade fez você pensar que nasceu) com gosto de rico em uma família de assalariados, vai ter que esperar um pouco (e trabalhar muito) para exteriorizar seu eu mais profundo de forma integral. Mas, voltando ao assunto, acredito que uma pessoa que tem a possibilidade de refletir desde cedo sobre o que ela precisa para se afirmar, vai crescer com mais confiança.

Pessoalmente, eu só fui comprar uma roupa sozinho bem tarde. Lembro de algumas até hoje. Uma camiseta de manga comprida, gola v, canelada, numa cor escura tipo marrom, bem justinha, da Forum. Meldels! Essa camiseta foi usada durante MUITOS ANOS, até virar um trapo! Sabe quando a gente se sente bonito com uma roupa? Pois. Eu me sentia muito bem nela, muito eu. Com certeza, deve ter sido difícil me desfazer desta peça.

Depois fui procurando meu estilo, nem sempre encontrando. Derrapando, frequentemente. Roupas de brechó que não cabiam direito em mim (penso nos casacões de pele, ou nas camisas que ficavam sempre com as mangas muito curtas). Outros trajes, que tentavam criar uma ponte com meu passado, como as roupas dos anos 70 que encontrei no armário do meu pai, ou um terno que mandei fazer pela querida Raquel, com a cortina de palhaços do meu quarto de criança (sim, acredite). Aos poucos, imagino que tudo isso, essas tentativas de encontrar meu próprio caminho indumentário, foi sendo filtrado para que eu pudesse simplesmente me apresentar para o mundo com um pouco mais de autenticidade.

Teve um período recente, em que a maioria das minhas roupas era azul marinho, sem muito detalhe. De vez em quando me dava a louca e eu comprava um casaco vermelho, um sapato verde... que depois, me obrigava a utilizar, às vezes a contragosto. Será que é este o meu estilo? Básico, neutro?

Hoje em dia, as coisas mudaram. Estou começando a achar que eu sou uma pessoa que não tem mais nenhum estilo específico. Mas na verdade, tem uma constante no meu armário... meu estilo tem sido roupas em promoção. Meu armário está virando um conjunto de roupas que não tem nada a ver uma com a outra. A única coisa que elas têm em comum é que elas custaram muito barato com relação ao preço original delas.

Triste, isso. É uma luta para manter minha décadence avec élégance, nessas condições.

Um game of thrones de tendências.

Mas a vida é isso, né, uma eterna batalha para se mostrar ao mundo como a gente quer ser visto. Me sinto como um guerreiro no meio do caos do meu armário.

Bom, acabo por aqui, pois vou encontrar uma amiga para uma cerveja... e ainda não sei o que vestir.

Comentários

Espelho, espelho meu, qual o B.O. que você mais leu?

Boletim de ocorrências #05

Boletim de Ocorrências #30

Boletim de ocorrências #68 : ELA, parte 4 [FIM]

Boletim de ocorrências #04

Boletim de ocorrências #01

Boletim de ocorrências #73 : Enciclopédia, parte 2 [K-S]

Boletim de ocorrências #11

Boletim de ocorrências #80

Boletim de Ocorrências #24

Boletim de ocorrências #09