Boletim de ocorrências #06

Vamos começar? Vamos começar.

Agora, voltando do supermercado, pensei em várias coisas que poderia contar aqui e que seriam legais de ler. Será que, na minha cabeça, já sou um produtor de conteúdo? Que pretensão! De qualquer forma, até chegar em casa, esqueci tudo.

Seria possível que, depois de quase sete anos, eu ainda não saiba utilizar a máquina de lavar roupa? De tempos em tempos, de acordo com o ciclo que eu escolho, ela não centrifuga as roupas. De jeito nenhum. Pura e simplesmente para de funcionar. E lá vou eu, abrir a porta da máquina. Dá-lhe baldinho, toalhas e desespero para não deixar escorrer toda a água no chão de madeira. Sempre dá errado. Mas hoje, foi pior.

E agora? Que mais?

Os três primeiros dias foram tão “fáceis”, que pensei em escrever todos os dias, tipo de segunda à sexta. Provavelmente, eu estava sedento por me expressar. Agora, já estou mais calminho e com medo de não ter o que escrever. Como quando vou na terapia e “não tenho o que falar”. Às vezes é só uma impressão. Começo a sessão assim, dizendo que não tenho nada pra falar, mas não fecho a boca pelos 45 minutos. Outras vezes, realmente, não sei o que dizer e fico ali, meio que me desculpando com a psicóloga, pelo tempo perdido. Ela, realmente, tem que espremer pra tirar um suquinho dessa falta de assunto. Daí, o que acontece é que muitas vezes, eu fico planejando o que dizer pra ela. Fazendo uma lista de assuntos interessantes. Ou seja, tentando controlar a situação, que é o que tenho o hábito de fazer, em geral. Como aqui, voltando do supermercado e construindo frases legais, que esqueci no minuto seguinte.

Criei o blog. Já existem muitas “páginas vazias” por aí... vamos ver se consigo me destacar no meio do caos. Ou não me destacar, apenas conviver com meus iguais. Pessoas que querem falar do que está dentro e em volta, guardando um certo anonimato protetor.

Estou como a raposa do pequeno príncipe, ansiosamente esperando o próximo encontro com a Ana, para discutir sobre nossos projetos comuns. Falando em pequeno príncipe, lembrei da fantástica fábrica de chocolate. Um filme que assisti muitas vezes. Com o mesmo ator que faz a raposa no filme do pequeno príncipe. Claro, estamos falando aqui de versões dos anos 70. Sem efeitos especiais de computador. Tudo muito tosco e extremamente mágico. Esse filme me deixou com a fantasia de que visitar uma fábrica de chocolate seria algo incrível. Pois, em 2005, antes de vir morar na França definitivamente, visitei uma fábrica de chocolate em Oslo, com a Liane, e acho que com Thiago e Ana Paula também. E, sim, foi incrível. IN-CRÍ-VEL! Não apenas porque o refeitório era decorado com quadros do Munch por todos os lados, mas sobretudo porque durante toda a visita podíamos comer quanto chocolate fossemos capazes. Não sei como expressar, não há pontos de exclamação suficientes para exprimir a força da alegria que me invade ao lembrar disso. Só posso dizer que comi chocolate até minha saliva ficar tão espessa que não conseguia mais engolir. Depois deste evento maravilhoso, achei que nunca mais teria vontade de comer chocolate. Isso durou dois dias.

Hoje foi terça. 22 de março de 2022. Começou a fazer calor em Paris.

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