Boletim de Ocorrências #52
Contando os dias para as férias. Contando os dias, não. Contando as horas. Assim que chegar em casa, estou de férias. Incrível como o mundo empresarial me faz esperar ansiosamente por uns poucos dias de folga.
Outro dia também, eu tinha dois dias livres, dois dias de trabalho e mais dois dias de folga. Decidi pedir dois dias de férias, no lugar dos dois de trabalho e senti uma felicidade imensa ao me dar conta que ficaria seis dias sem trabalhar.
Não é que eu não goste do meu trabalho. Até gosto. O que acontece é que a perspectiva de fazer isso por muitos e muitos anos me desespera. Mas fazer o quê? Tem que pagar as contas, né?
Daí, fico pensando... toda a trabalheira que foi a vida até aqui. Decidir sair da minha cidade, estudar teatro, ser um artista, perseguir meus sonhos, etc. e tal, para no fim, na última hora, na metade do segundo tempo, abandonar tudo e pegar um trabalho qualquer pra pagar as contas?
Mas, então, não teria sido melhor fazer isso desde o começo? Fazer um concurso depois de terminar a faculdade de direito. Ou expandir o negócio da família. Ou, sei lá, apenas deixar o meu destino seguir seu curso esperado. Se tivesse feito isso, talvez agora já estaria em outro ponto da cadeia alimentar.
Ou não. É. Deixa como está. Melhor assim, mesmo. As experiências, as sensações, as amizades... cada um cresce com as suas e não dá pra saber o que seria se fosse tudo diferente.
Até porque, essa história de “curso esperado” não existe, né? Quer dizer, até existe, depende dos privilégios ou da falta de privilégios que se tem. No meu caso, tive vários e não tive outros tantos. Escola particular a vida inteira. Café da manhã, almoço e janta todos os dias. Aula de inglês, de violão, de desenho, de datilografia. Sim, de datilografia.
E o que faltou? Amor próprio, confiança, paz.
Ou seja, a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.
E calma.
Nada a ver com o assunto, mas hoje tomei aquele café que me deprimiu no outro dia. Consegui! Sentei no café, com o computador aberto, vendo passar os táxis pretos e os ônibus vermelhos de dois andares, típicos de Londres. E tomando meu café. Vitória! Claro que alguns minutos depois, vieram me dizer que eu tinha que sair de onde eu estava porque o café ia fechar. Apertei os olhos, dei aquele sorrisinho azedo e fiz que sim com a cabeça.
Acaba de acontecer algo engraçado aqui: voltei para o quarto do hotel para terminar o texto antes de retomar o trabalho. Meu colega, com quem dividi o quarto hoje, me olha escrever no computador e comenta o fato de eu digitar rápido, usando todos os dedos e sem olhar para o teclado. Claro, fiz aulas de datilografia! Muito útil.
Recebi uma mensagem de áudio da Fê, agora. Tinha lido um texto da semana passada e quis me mostrar que me conhece, me entende e está ali, se eu precisar dela. Em um minuto e cinco segundos ela fez um raio x de mim e falou de tudo que estava latente naquele boletim.
Com os amingos é assim. Com alguns amigos também. A gente pode passar anos sem se ver, sem se falar, mas o encontro e a troca são intensos, quando acontecem. Seja porque sabemos que temos uns nos outros uma orelha atenta e um ombro amigo, seja porque podemos começar a conversa falando do uso de máscara na pandemia e terminar reclamando que só vai encontrar o amor verdadeiro no asilo. Nossas conversas são sempre como um oásis no meio do deserto.
Ou como aquelas férias no meio de uma vida inteira de trabalho.

Tamo junto! Lembro dessa conversa de encontrar o amor no asilo. 🤣🤣🤣 Dos 3 só falta eu encontrar. Será que vai ser só no asilo mesmo? Kkkk..o desespero tá batendo que já vejo letras proféticas em locais inapropriados..🤣🤣🤣🤣🤣( piada interna de amingos)
ResponderExcluirA de amor, B de baixinho, C de coração... talvez você vai ter que escrever o nome inteiro, letra por letra... ❤️
ResponderExcluir🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣 pior que pensei nisso..a risada também é de tensão..🤣🤣🤣🤣🤣😍😍😍😍
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