Boletim de ocorrências #57
Diretamente das florestas virgens do Brasil, também conhecidas como selvas.
Sob a luz fulgurante e encantadora da lua branca, ao som dos uivos dos lobos e do cantar das cigarras.
Sentido ao longe, a presença de povos indígenas, realizando rituais de proteção ou de guerra.
A natureza se manifestando com estrondosos trovões, cachoeiras potentes, bateres de asas.
Do alto da cabana escuto folhas sendo pisadas.
E, de repente, os motores.
Roncos, perfurações, tremores.
Ouro, diamantes, borracha.
Café, algodão, açúcar.
A missa, a serra elétrica, as cidades.
E o silêncio, como um vazio que restou, inevitável.
Veio, pegou, foi.
Pegou, mas poderia ter dito quebrou, mas poderia ter dito...
De qualquer forma, incompreensível, inconcebível.
Antes a cigarra, agora o automóvel.
Onde antes o lobo, agora o cão.
Sob o peso da noite sem lua, adormeço.
E desperto deslizando em um rio, deitado na rede da embarcação.
Cercado do canto de pássaros de grande porte que alçam voo comigo.
Sobram os bem-te-vis e as conversas por perto, com vapor de água fervente e sol levante.
De quando em quando, uma voz mais forte, uma risada, uma tosse, interrompem um causo ou um silêncio.
De onde vem tanto assunto?
Um solavanco me desperta do sonho no sonho e volto à minha realidade.
Nem selva, nem lobo, nem homem, nem ouro, nem barca.
Mas sim, Brasil, lua, cigarra, bem-te-vi.
Passos descendo a escada, conversas, com gente ou com cães, o ranger da porta.
Mais um dia começa e a viagem continua.

Tava inspirado 👏🏻👏🏻
ResponderExcluirInspirado pelas férias...
ExcluirO Brasil nascendo e crescendo em você!
ResponderExcluirA gente sai do Brasil, mas o Brasil não sai da gente...
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