Boletim de ocorrências #62

Boletim de última hora.

Não que seja aquela coisa de “Extra! Extra! Boletim de urgência!” com a musiquinha do plantão da globo, que deixa todo mundo tenso, sabendo que aconteceu alguma desgraça.

Não. Última hora, aqui, quer dizer que não consegui escrever nada durante a semana e que vou ter que inventar alguma coisa pra falar agora, algumas horas antes de publicar o boletim da semana.

Porque, sim, caso ninguém tenha notado, agora os boletins são semanais. Saem todas as sextas, de manhã.

E por que eu não tive tempo de escrever esta semana? Seria preguiça? Seria insônia? Seriam problemas pra resolver?

Nada disso... é que esta semana, comecei aquele novo trabalho. Resolvi testar por algumas semanas como seria trabalhar em um escritório, com horário fixo, de segunda a sexta, com pausa na hora do almoço, e essas coisas de adulto normal.

Essas coisas que nunca tive na vida. Desde pequeno, vejo meus pais trabalhando em fim de semana, folgando na quarta-feira, almoçando depois que todo mundo já almoçou, tirando férias de verão em março. Essas foram as configurações da vida de um adulto normal, para mim, e foram os esquemas que reproduzi nas minhas experiências profissionais. Seja como ator, como comissário de bordo, ou como tradutor independente, nas horas vagas. A regra era não ter regra.

Mas isso, até essa semana. Desde segunda, acordo, tomo café, tomo banho, me preparo, vou trabalhar, fico sentado na minha mesinha, olho os e-mails, vou almoçar, tomo um cafezinho, volto pra minha mesinha, junto minhas coisinhas e volto pra casa a tempo de ir ao supermercado, fazer a janta, escrever um blog, assistir uma série e ir dormir (quer dizer, ainda não consegui me organizar tanto assim, o supermercado, o blog e a série ficaram pra trás).

Resumindo: vida de adulto.

Que emoção. Mais um item para tirar da lista de coisas para fazer na vida.

Claro, imagino que a vida de adulto inclua outras coisinhas, mais divertidas do que apenas ir de casa para o trabalho e do trabalho pra casa.

No fim dos anos 60, começou a ser utilizada na França a expressão “métro, boulot, dodo” para ilustrar a monotonia do cotidiano, justamente, esse ciclo da vida de adulto que se resume a ir para o trabalho e voltar para casa para dormir. Já reclamei disso por aqui.

Bom... chega de falar de trabalho! Vamos falar de coisa boa?

Iogurteira top-term, cogumelo do sol, meias vivarina, facas ginsu...

Percebe-se que parei da assistir tv nos anos 2000.

Às vezes, na Inglaterra, assisto um pouco de tv e, pelamor, já falei disso aqui. As propagandas não são melhores que os programas. Desde a venda de almofada para apoiar o tablet, que se adapta ao nível da sua corcunda quando você está jogado no sofá, até os pedidos de contribuições solidárias para causas diversas, como jumentos, por exemplo. Tudo me causa espanto.

E no espanto vou ficar, pois termino aqui. Preciso voltar para minha rotina de adulto normal, com coisas normais para fazer.

Deixo apenas uma referência. Entendedores entenderão: 

Este boletim foi, assim como veio...


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