Boletim de Ocorrências #69

Então, é natal...

Claro que essa foi a música que ficou se repetindo nos meus pensamentos na manhã do domingo de páscoa. Vai entender porque meu cérebro decidiu que a voz da Simone ia ficar grudada o dia inteiro na minha cabeça, me questionando o que eu fiz neste ano que termina e nasce outra vez.

A culpa é que não tem nenhuma música popular de páscoa. Então só sobrou a canção tradicional de natal. Quer dizer, tem aquela: coelhinho, se eu fosse como tu, tirava a mão do bolso e botava ela no coooelhinho... e por aí vai. Mas essa não conta. Ela não provoca nenhuma reflexão filosófica, sobre o sentido da vida. Ela não provoca nada, nem risos, acho.

Então... ficou essa música na minha cabeça por horas a fio. E eu nem sei a letra inteira, então foi realmente a repetição de uma única frase, martelando ao longo do meu dia.

Mas pensando bem, a páscoa também é um momento de algo que termina e nasce outra vez, né? Então tudo bem. "Então é natal" pode, sim, ser reciclada para a páscoa.

E falando em reciclagem, eu poderia dizer várias coisas sobre a coincidência deste evento cair na data que já festejava a fuga dos judeus do Egito, que também é uma espécie de renascimento, imagino. Como quando alguém chega na igreja pra se casar e não precisa gastar com decoração, porque já teve um batizado no mesmo dia.

Mas não vou falar disso, não. É, estou me censurando, porque certamente falaria besteira.

Olhando minhas notas sobre assuntos pra falar aqui, encontro: “caras com boca mole”.

Aí sim! Aí eu posso falar com propriedade, com conhecimento de causa. Sem falar bobagem.

Alguém aqui se identifica com esta questão? Alguém reconhece do que eu estou falando? Alguém aqui já beijou uma boca mole?

Porque, se você já beijou um cara de boca mole, vai entender que é uma sensação estranha, no começo. Não necessariamente ruim, apenas inesperada. Porque, claro, toda boca é meio mole, mas tem uma certa tonicidade. A do cara da boca mole não.

Na verdade eu nem saberia dizer como é o resto das bocas. As normais. As bocas tônicas, digamos. Mas quando me confrontei com... nossa, que palavra forte! Me CONFRONTEI com uma boca mole?! Até parece que estou falando de uma luta de sumô! A não ser que pense em um confronto mais refinado. Tipo jogo de xadrez, estudando qual a estratégia necessária para conseguir me encaixar ali.

E foi mais ou menos isso. Quando me confrontei... quer dizer, quando beijei uma boca mole pela primeira vez, tive que rever meus conceitos de beijo para poder me adaptar. Porque, comparada com a boca mole, minha própria boca parecia dura demais. Agressiva demais. E, fora umas mordidinhas de leve, ninguém quer machucar o outro durante o beijo, né? Então, beijar um cara de boca mole pode ser uma oportunidade de descobrir em si capacidades nunca antes imaginadas.

Será que voltei ao tema do renascimento? 

Bom... que assunto interessante. E inédito, creio. Dei uma olhada rápida na internet pra ver se existe essa categoria de boca mole, mas não encontrei nada. Nada relacionado com beijo, pelo menos.

Agora, estava me perguntando como juntar isso tudo com meu domingo de páscoa. Com a voz da Simone me dizendo que então é natal, e o que você fez?

Nunca saberemos.

Comentários

  1. E na linha associações completamente livres, me veio a música Bilíngue, da Bïa... Cuja última frase (tanto em português quanto em français) vai ficar martelando um tanto da noite na minha cabeça agora hehehe. Bonne soirée, meu amor.

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    1. Heheheh... não conhecia esta artista, muito boa a música. Melhor ficar com essa na cabeça do que outras, néam?

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