Boletim de ocorrências #63
Daí que, mais uma vez, deixei pra escrever isto aqui no último minuto do segundo tempo.
Então, dei uma olhada nas fotos que tinha no meu telefone e encontrei uma, tirada um dia antes de viajar ao Brasil de férias. Ou seja, uma foto recente, mas nem tanto, já que voltei do Brasil há um mês, já.
Peraí... um mês? Não! Duas semanas! Apenas duas semanas, mas já parece um mês. Primeiro, porque já estou querendo férias novamente. E depois, porque mal tive um dia de folga desde que voltei.
Sim, porque o que eu não expliquei no outro boletim é que resolvi testar o novo emprego sem sair do meu emprego normal, quer dizer, a pessoa está trabalhando de segunda a sexta em um lugar e fim de semana no outro.
Mas não era disso que eu queria falar. Era pra falar da foto, né? Essa foto foi tirada um dia antes de eu viajar, logo depois de sair de uma exposição. É um adesivo, colado em um poste dizendo que dias melhores virão.
Essa coisa de frases escritas na rua sempre chamaram minha atenção. Como se fosse uma mensagem que o universo está me enviando. Às vezes mensagens irônicas, para relativizar a situação, outras vezes mais profundas, sensíveis, mas sempre lançando um olhar diferente sobre o que me cerca.
Claro, provavelmente essas mensagens não são do universo, que o universo deve ter mais coisa pra se preocupar... elas vêm do meu inconsciente para mim mesmo.
Mas pensando em “dias melhores virão”, lembrei do filme dos anos 80 e da música da Rita Lee... e pensei que tem momentos da vida em que é essencial confiar que dias melhores virão. Porque, sem dúvida, eles virão. Como dias piores também. Todos os dias que têm que vir, virão. Mas se a gente não se lembrar constantemente que dias melhores estão por vir, fica bem difícil. Acho que tem a ver com a idade.
Sim, porque a gente vai atravessando os 40, se aproximando dos 50, e começa a olhar pra trás e se dar conta que provavelmente já percorreu mais da metade do caminho. A gente olha as decisões tomadas e pensa nas consequências que elas tiveram. E em quais oportunidades ainda podem estar pela frente. A gente se pergunta se, de repente, em algum momento, fez alguma escolha muito errada.
A gente, a gente... por que generalizar, né? Estou falando de mim. Claro. Mas tenho quase certeza de que essa sensação atravessa muita gente por aí. É uma sensação de “mas o que foi que eu fiz?”, que pode nos afetar em diferentes aspectos da vida. Às vezes a gente pode sentir no bolso, às vezes no corpo, às vezes na vida sentimental ou, como o título daquele outro filme: tudo em todo lugar ao mesmo tempo.
E nesses momentos é preciso se segurar em alguma coisa, porque até pode ser tudo em todo lugar ao mesmo tempo, mas certamente não é para sempre. Imagino que cada um tenha suas tábuas de salvação. Então, nesses dias em que você (eu, a gente) se sente assim, se segura em alguma coisa que possa te dar prazer. Algo que te dê endorfina para aguentar até que as coisas entrem no lugar novamente. Ou saiam definitivamente de um lugar e entrem em outro. Uma paisagem, um livro, uma ida ao cinema, um exercício físico (pra quem gosta), filhos (pra quem tem), ou a voz da Rita Lee dizendo:
“Eu juro que dias melhores virão!”

Aí, vou precisar de terapia rsrsrs
ResponderExcluirVocê, eu, a gente... quem não precisa? 😉
ExcluirComo é generosa e corajosa a sua escrita, Dé. Sempre tão bom sentir a essência da sua personalidade ali...
ResponderExcluirMerci... ❤️
Excluir