Boletim de ocorrências #71
Vou confessar: não consegui. Queria, mas não consegui. Tentei. Só que não rolou. Algum problema com tecnologia me impediu. Falhei.
Esta semana, quis pedir para a inteligência artificial escrever o texto no meu lugar. Quis, mas não fiz. Não por livre e espontânea vontade, mas porque não consegui criar um perfil no site. Apenas isso.
Se não fosse por esse pequeno detalhe, hoje, vocês estariam lendo um texto escrito por uma falsa inteligência. Artificial. Ao invés disso, vão ter que ficar com uma ignorância natural. A de sempre. Verdadeira. A minha inteligência, que não foi capaz nem de se inscrever no tal site.
Mas fiquei curioso para saber o que poderia ser esse texto, se tivesse sido feito por um algoritmo.
Falaria da minha mãe? Da minha falta de tempo para escrever? Do meu desgosto com o mundo do trabalho? Será que ela, a inteligência, ou ele, o algoritmo, saberia que não estou mais fazendo terapia? Ou que estou precisando de terapia novamente? Teria o meu senso de humor? Seria uma frágil imitação do meu senso de humor ou levaria ele ao extremo, melhorado?
Ou talvez inventasse lembranças de infância, fazendo paralelos com hipotéticas situações presentes, também inventadas. Falaria de almoços de família, agitados, barulhentos, nos quais entre risos e lágrimas, laços se estreitariam ou se romperiam, segredos seriam desvelados ou verdades caladas.
Não sei. Impossível saber. Não sei, mas continuo querendo descobrir. Ainda vou tentar, um dia desses. E discretamente, sem avisar, publicarei ele aqui. Então, quem sabe um dia você lerá um texto estranhamente bom. Estranhamente sensível. Estranhamente engraçado. Diferente dos outros, mas que faz você pensar em mim. Faz você ouvir minha voz enquanto lê. Um desses textos que reduz a distância entre nós e diminui um pouco a saudade.
Mas enquanto esse dia não chega, vai ser eu mesmo. E enquanto eu fui escrevendo essa página, sem querer, vieram umas lembranças.
De um almoço de família. Agitado. Barulhento. Animado. Raro, lá em casa. E me veio essa lembrança da minha mãe, feliz, no fim do dia. Feliz com a casa cheia. A mesa farta. A conversa boa. Só que agora não sei mais se é uma lembrança real ou se inventada. Se é uma lembrança ou um desejo.
Depois, lembrei de outra coisa. Lembrei do meu sentimento de orgulho com a palavra “incipiente”. Em mostrar que eu sabia que ela existia e o que ela significava. Mas será que eu sabia, mesmo? Agora me dou conta que talvez eu misturasse o incipiente e o insipiente. O novato e o ignorante. Mas na época isso não importava. O que importava era essa sensação de inteligência.
Mesmo que essa inteligência fosse artificial.

Eu fico com a pureza da resposta da criança....
ResponderExcluirE com o texto sensível de um ignorante natural.
Gracias, cariño, a criança sempre tem a resposta...❤️
ExcluirQue lindo, André. Beijo
ResponderExcluirMerci... :)
ExcluirMenino... esta semana o seu GPT foi O assunto aqui em casa... tem gente que até tem conta... depois te conto :-D . de minha parte, ainda no modo "acho que tenho medo"...
ResponderExcluirTe lendo, me deu aquela coisa na barriga, acompanhando o pensamento "e se eu não me der conta? e se eu não conseguir reconhecer que não é o Dé mas o seu GPT? o que eu faço com isso?"...
Enfim, por aí ando eu...
Abraço, virtual por ora, em carne e osso em breve, ufa!
É, comadre... agora a certeza, certeza mesmo, é só no abraço.
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