Boletim de ocorrências #73 : Enciclopédia, parte 2 [K-S]
Pensando no que escrevi no outro dia, muitas outras palavras vieram. Daria até pra fazer um boletim com cada letra. Mas não. Segue o baile!
K, de Ká. O primeiro namorado. Que demorei muitos anos para compreender e perdoar.
L, de Lago Negro. Durante a infância, minha pracinha particular. Conheci todos os cantos e recantos. Com neve, hortênsias, azaléas, pedalinhos, loja de chocolate e bar. Caí de bicicleta naquela água turva. Mais tarde, fui fotógrafo de turistas. Também fiz picnic, acrobacia, tomei sorvete. E agora, penso no perfume dos eucaliptos, enquanto eu caminhava ali com minha mãe.
M, de marica. Perto do lago, também ficava o jardim de infância, onde ouvi pela primeira vez essa palavra, sem saber o que significava. Primeira de muitas.
N, de novo irmão. O Marcus nasceu no mesmo dia que eu, no meu aniversário de 18 anos, mas eu só o conheci 24 anos depois. Ele apareceu na época em que meu pai ficou doente e a presença dele deixou as coisas mais leves naquele ano. Meu novo irmão é tatuador, e dos bons. Hoje é o aniversário dele. E o meu também.
Créditos da imagem: Marcus Mubarack
O, de origami. Pra mim, não tem como falar em origami sem lembrar da generosa, talentosa e saudosa Lucinha Bendati. Por meses, no fim dos anos 90, tivemos uma fixação em dobrar aqueles passarinhos, o tsuru. Eu faço até hoje. Uma crença diz que se a gente dobrar 1.000 tsurus um desejo se realiza. Este mês, faz oito anos que Lucinha nos deixou. Vou fazer um tsuru pensando nela.
P, de palhaço. Parece que a primeira coisa que eu disse que queria ser quando crescesse foi palhaço. Estranho, pois nunca tinha ido ao circo, nunca tinha visto um palhaço de verdade. Mas nas fotos do meu quarto de bebê tinha uma cortina com palhaços e um boneco de palhacinho (que poderia estrelar qualquer filme de terror dos anos 80). Acabou que, muito tempo depois, fui mesmo um palhaço profissional, de nariz vermelho e tudo. Então... cuidado com a decoração dos quartos dos filhos de vocês.
Q, de química. Nos dois primeiros anos do segundo grau (do ensino médio?), meu curso tinha 8 aulas de química por semana. No fim, eu até gostava, mas no terceiro ano mudei de escola e esqueci tudo.
R, de rancor. Se fosse dinheiro, eu estaria rico.
S, de saudade. Mais uma vez, coincido com o abecedário da Xuxa. Saudade é ruim, mas é bom. Se a gente sente, é porque não tem mais alguma coisa. Mas essa coisa é boa e a gente quer de novo. É uma das raras ocasiões em que matar pode ser legal. Mas cuidado para não confundir saudade com nostalgia. Nostalgia deixa a gente preso no passado. Saudade tem a ver com amor.
[continua]

Que lindo, tu! Saudade de ti! <3 beijos meus, da Clementina e da Tangerina! ^^
ResponderExcluirMerci! Beijos para todes, aí ❤️
ExcluirLindo!
ResponderExcluirObrigado!
ExcluirLindo!!!! Mas pra mim P é de primis❤️❤️❤️
ResponderExcluirObrigado, Primis! O P tinha sido de primis, sim... mas depois pensei que primis poderia ter um boletim inteiro, um dia, não? Te amo ❤️
ExcluirLi esse texto há muitos dias e sempre penso que preciso vir aqui comentar sobre o que mais me marcou: o “R”. Dé, você tem noção do quanto é importante e corajoso a gente assumir o rancor que a gente sente? É um sentimento totalmente demonizado socialmente, mas absolutamente comum e humano. Achei nada menos que um ato de bravura e de grande generosidade você expor isso. Estou adorando os boletins! 😘
ResponderExcluirObrigado Dudu! ❤️ E que bom saber que você tem acompanhado isto aqui. Beijo
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