Boletim de Ocorrências #43

Hoje, já está tudo melhor. A vida se encheu de prazer, ócio, sol, café, amigos, cerveja, teatro e caminhadas. Realmente, uma sensação de quentinho e luz que vai ficar ali, se irradiando de dentro de mim, para o meu cotidiano.

Estar de folga também ajuda, claro. E pensar nos dias de férias que vem por aí. Férias, que vou aproveitar para viajar, visitar a Helô e, entre outras coisas, fazer nada. Mas preciso lembrar de levar massa de pastel para a Isabela, senão, minha visita vai ser uma decepção. Tem tempo, ainda...

No último dia dessas férias, quero passar a manhã em Avignon, comer focaccia e tomar sorvete antes de voltar para Paris. Essa focaccia é deliciosa, de uma padaria perto do apartamento em que eu fiquei, quando fui ao festival apresentar o Inspetor Geral.

Desejo essa focaccia há seis anos já. Espero que ainda exista.

Ontem, por exemplo. Fui almoçar em um restaurante. Era a segunda vez que ia ali e, na primeira vez, gostei tanto que chegou a me dar tristeza de terminar meu prato. Fui dando as últimas garfadas e pensando: quando é que venho aqui novamente?

Então, ontem, depois de meses sonhando, falando pra todo mundo, babando de vontade, fui lá para comer o mesmíssimo prato que tinha pedido da outra vez. Só que...

Só que, falando em decepção, aparentemente, no consenso geral, ao que parece, um prato que é acompanhado de sopa com leite de coco e curry, não é um prato adaptado para o verão. Então é um prato que só vai ser feito novamente quando voltar a fazer frio.

Mas gente... nem é verão ainda! Deu 16 graus e o pessoal já muda o cardápio do restaurante!

Tudo bem, fiquei sem minha sopa. E como estou de bom humor, entendo que aqui o inverno é tão longo, feio e triste que, assim que é possível, assim que os dias vão ficando mais bonitos, que chega o horário de verão, que o sol aparece, que a temperatura vai além dos 12 graus, que dá pra fazer pic-nic, ficar de camiseta na rua, ver o pôr do sol cada vez mais tarde, as pessoas queiram rapidamente esquecer os dias frios e escuros, queiram mudar, queiram saudar a primavera, a beleza, o calor, a brisa e a vida.

Mas focaccia, dá pra comer o ano inteiro, né? Por favor!

Vou descobrir em breve. De qualquer forma, não é um pão ou uma sopa que vão atrapalhar meu bem estar neste momento. Não, não, não... nem adianta insistir, que hoje eu estou me sentindo bem!

Apenas, essa conversa está me dando fome. E não sei mais como continuar o texto. Me desconcentrei. Não pela fome, que também não é tanta assim, mas pelas redes sociais, a movimentação em casa, as coisinhas para fazer.

Coisinhas para fazer, como plantar uma plantinha. Duas na verdade. Uma que eu ganhei e outra que eu vou roubar umas mudinhas aqui no meu prédio. Será que faço isso agora? Descer quatro andares de escada pra roubar as suculentas, subir de volta. A lambança de terra no chão do apartamento. Ou será que faço um bolo?

Ah, de qualquer forma, vou ter que fazer uma faxina em breve. E dá tempo de plantar, de fazer bolo e até de dar uma limpadinha na casa.

Realmente, hoje, estou invencível. Melhor parar por aqui, antes que o negócio azede . Sair na ponta dos pés e fechar a porta com cuidado, né? Não precisa cutucar a onça com vara curta. Até amanhã.

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