Boletim de ocorrências #87

Olhando minhas notas, aqui... e lembrei daquele filme “Soylent green”.

Esse filme dos anos 70, se passa em 2022, então já podemos entender que como todo filme futurista, este também é sobre o fim da aventura terrestre. E qual é o futuro apocalíptico previsto nos anos 70 para 4 anos atrás? Não me recordo direito dos detalhes. Vou dar uma olhada na sinopse para completar o quadro.

Atenção, você teve mais de 50 anos para assistir a este filme, não venha reclamar de spoiler!

Naquele 2022 distópico, a situação mundial é o resultado de guerras, efeito estufa, poluição, pobreza, superpopulação, fome e esgotamento dos recursos marinhos e terrestres. Ou seja, totalmente ficcional. Nossa realidade no mundo de 2020 incluía também uma pandemia.

Neste contexto, as pessoas (que pessoas? o povo, né... leia-se os proletários) têm pouco acesso à comida e água potável. Uma maçã, uma geleia, uma birita, um bife, ou até um sabonete são artigos de luxo, reservados aos círculos de poder. Diante destes problemas sociais duas soluções paliativas são propostas: um programa de eutanásia voluntária (calma, garanto que nenhum usuário voltou para reclamar) e a venda por uma empresa privada de tabletes alimentares ultraprocessadas e coloridas de acordo com os dias da semana. O melhor dia, é o dia verde, no qual é vendida a ração mais proteica, à base de algas. Não, nada a ver com a farinata, aquele granulado feito com restos de comida, que o prefeito de São Paulo queria dar para os pobres em 2017. Aqui, estamos falando de tabletes. Não confunda!

Por alguma razão que me foge agora, começa um inquérito policial. Ah sim, porque um rico morre em circunstâncias suspeitas. Não é um rico qualquer, acho que é um CEO da Soylent, empresa que produz as barras nutritivas. Durante a investigação, o detetive acaba descobrindo que a ração verde é, na verdade, produzida com a carne dos humanos eutanasiados.

Pronto, falei! Agora é tarde demais para você parar de ler.

A abertura do filme é bem bonita, com as imagens da evolução da sociedade industrial até chegar ao ano de 2022 imaginado pela ficção. Mas tem outras coisas interessantes nesse mundo irreal: as casas dos homens ricos vêm mobiliadas. Geladeira, sofá, fogão, cama, esposa. Oi? Sim, a mulher faz parte da mobília. O véio morre e a mulher (sempre jovem, claro) passa para o próximo ocupante do apartamento. Legal, né? Fora isso, não lembro de quase nenhuma cena do filme. No entanto, um frame ficou imprimido na minha memória. Trata-se de um cartaz anunciando que é dia de tablete verde.

Seguindo uma lógica bastante peculiar, e muito característica da minha forma de pensar, criei uma conexão imediata entre este cartaz e o nome da banda Green day. Na minha teoria, estava certo, real, oficial, que a banda homenageou o filme ao escolher este nome. Mas... na verdade, parece que o nome da banda é apenas uma referência à certa ervinha verde. Ai, que delícia! Com moderação, galera.

Recentemente, assisti a um filme brasileiro que também me lembrou essa história de um mundo à beira do fim. “O último azul”, no qual, a partir de certa idade, as pessoas são enviadas para uma colônia. Me parece que o filme não explica claramente o que acontece com os velhos neste lugar. Para mim era óbvio: fábrica de salsicha. Aliás, em mais uma interpretação pessoal, entendi que no fim do filme a personagem principal tinha sido traída pela amiga e levada de volta à cidade, para encarar a tal colônia. Entendi errado? Inventei esta teoria da conspiração a partir de vozes da minha cabeça? Há controvérsias.

Ah, desculpe. Possível spoiler novamente. Foi mal.

Spoiler não é tããão grave assim. Se você assistir a qualquer trailer da maioria dos filmes, vai saber praticamente a história inteira e, inclusive, vai ver TODAS as melhores cenas do filme naqueles dois minutos.

Além disso, dizem que o que faz uma obra tornar-se memorável não é necessariamente o “o que” ela conta, mas o “como” ela conta.

E esse spoiler eu não dei!

Comentários

  1. Eduardo Eipeldauer15 abril, 2026 08:48

    Não vem que não tem! Você se tornava um “râleur” que soltava fogo pelas narinas sempre que ouvia alguma mínima informação de algum filme que você pretendia ver! Haha!
    Agora sério, Dé: muito bom, me diverti demais! 😃

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Putz... verdade! Detesto spoiler 🫣
      Faça o que eu digo, não faça o que eu faço...
      Beijo e obrigado pela leitura :)

      Excluir

Postar um comentário

Espelho, espelho meu, qual o B.O. que você mais leu?

Boletim de ocorrências #05

Boletim de Ocorrências #30

Boletim de ocorrências #68 : ELA, parte 4 [FIM]

Boletim de ocorrências #04

Boletim de ocorrências #01

Boletim de ocorrências #73 : Enciclopédia, parte 2 [K-S]

Boletim de ocorrências #11

Boletim de Ocorrências #24

Boletim de ocorrências #80

Boletim de ocorrências #09