Boletim de Ocorrências #42
Como será que eu poderia saber se estou entrando em uma depressãozinha? Enveredando, se quiser usar o mesmo termo de ontem, por esse caminho tortuoso e difícil de sair. Deslizando ladeira abaixo pela tristeza. Como saber?
Mas, já mudando de assunto, ai que ódio que me deu agora!
É que durante a pausa do trabalho, nos dias em que ficamos mais de 3 horas esperando em Londres, ganhamos um ticket para pegar um café em uma dessas redes, perto da estação. Tipo agora. Fui até o supermercado comprar alguma coisa para almoçar e me instalei pertinho do tal café, pensando em pegar minha bebida assim que acabasse de comer. Tudo certo. Só que eles fecharam o café de uma hora pra outra, antes do horário marcado na porta e eu fiquei a ver navios, como se diz. Que raiva! E que raiva maior ainda porque isso acontece quase sempre! Já perdi uns cinco cafés assim. Que ódio!
Mas essa raiva, esse ódio, são diferentes. Meio intensos demais pra algo tão pequeno e sem importância. Meio que coloridos de aperto no peito, de humilhação, ou sei lá o quê. De vontade de chorar porque não pude tomar o café que eu queria. Chorar de raiva, mas chorar. Chorar gritando de ódio, quebrando tudo, mas chorar.
Peraí... será que isso tem a ver com aquela sensação de talvez estar ficando deprimido? Mas eu não tinha mudado de assunto? De repente, me enveredei por esse atalho e não consigo mais sair.
Então, voltando à tristeza, noto que estou ficando assim quando começo a olhar à minha volta, olhar as pessoas na rua e me dou conta que fico deprimido por elas. Eu olho as pessoas, pobres, marcadas pela vida, deformadas pela pobreza, pela alimentação ruim, pelo trabalho interminável, e eu vou ficando triste por elas. E pelo risco de eu ficar assim também. Com os olhos arregalados, ou os olhos esbugalhados, torto, inchado, ou murcho, duro... Não sei.
Quando eu começo a olhar pra tudo com esse olhar. Quando eu começo a olhar para as pombas com as patas mutiladas e não sei que desvio eu faço pra chegar no meu olhar sobre o meu trabalho, que começa a me entristecer.
Bom, talvez eu só tenha juntado as patas mutiladas das pombas com os vinte anos de trabalho que eu ainda tenho pela frente, porque eu estava a caminho do trabalho quando cruzei essas pombas. Mas o fato que meu olhar tenha ido justamente para as patas mutiladas talvez queira dizer alguma coisa sobre como estou me sentindo ultimamente. Ultimamente, talvez apenas há dois ou três dias, quando soube que não consegui a vaga em um outro emprego. Talvez esteja apenas precisando de mudança, né?
Mas agora sim, mudando de assunto, acabo de procurar porque as pombas têm as patas mutiladas. Achei que era por causa daqueles metais que são colocados nas janelas dos prédios para elas não pousarem, mas não é apenas isso. Elas também perdem as patas porque se enroscam em grandes quantidades de cabelos caídos no chão. Bom, admito que essa não é uma notícia que te ajuda a sair da depressão. Difícil mudar de assunto hoje. Se eu tivesse tomado meu café, direitinho, acho que não estaria com tanta negatividade no coração. Já teria encontrado alguma coisa engraçadinha pra falar. Com certeza. Estaria falando da minha vontade de comer um pacote inteiro de bolachas, com café de preferência, ou algo assim. Algo assim. Bem engraçadinho.
Kkkkkk... rs... LOL.
Desisto. Talvez isso seja apenas o tal inferno astral, né? É que estou escrevendo esse texto antes do meu aniversário (que, agora, já passou, se alguém está lendo isso aqui). Então tudo deve estar sendo maravilhoso agora, com 46 anos. Até amanhã.

Café com bolacha desde os 17, 18 rs te amo
ResponderExcluirDesde sempre... ☕ ❤️
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