Boletim de ocorrências #68 : ELA, parte 4 [FIM]
Vários dias se passaram desde a última vez , até que eu viesse escrever novamente aqui. Vários dias em que me perguntei como terminar esta série de boletins sem fugir do assunto. Mas talvez eu estivesse procurando justamente uma forma de fugir do assunto. Quando comecei a escrever este texto , estava carregado de um peso. O peso do vazio. Da impressão de uma vida oca, causada por um dia ruim. Naquele dia, senti como se eu não existisse quando estou sem o olhar do outro. Como se eu me ausentasse da vida e entrasse em um espaço sem tempo, sem nada. Na verdade, não exatamente sem nada. Carregado. Carregado de um peso, como disse antes. De uma densidade de sensações e lembranças, como um céu com nuvens carregadas que ameaçam explodir em uma chuva súbita e forte. Foi nessa sensação que reconheci minha mãe em mim. Reconheci certos momentos que passei com ela, nos últimos anos. Nesses momentos minha mãe compartilhou comigo suas angústias com relação ao futuro, não apenas financeiro, ...