Boletim de ocorrências #17
Mas por que eu insisto em ficar pensando em coisas que vou esquecer no minuto seguinte? Se é pra lembrar, anota, André! Não adianta nada ficar pensando na lista do supermercado durante a aula de yoga. “Ohm... bicarbonato de sódio, papel higiênico, azeite de oliva. Ohm... pão, queijo, cereal. Ohm... vinagre”. Pior que foi bem assim hoje. Bem zen. Bom... No fim das contas, não esqueci de comprar nada. Mas fiz uma lista, chegando em casa. Uma lista de verdade, por escrito.
Estou começando a criar este hábito de anotar, ou de fazer um áudio para mim mesmo, como o inspetor Dale Cooper, do Twin Peaks. Sobretudo, se tenho algum pensamento aleatório que poderia ser desenvolvido aqui. Sim, até a aleatoriedade disso aqui tem uma base. Senão esqueço mesmo. Ou fico com um medo de esquecer, que alimenta essa sensação de não ter o que escrever, não ter assunto. Um pouco como o medo de começar uma improvisação. Que pode ser um medo bom, quando não bloqueia a gente. E também, a improvisação, e a escrita, podem ter dias melhores e dias piores, com mais ou menos criatividade. E não é tão grave assim. Simplesmente acontece e faz parte. Ninguém é obrigado, né?
Nada a ver com o assunto (sim, tem um assunto), mas hoje acordei pensando por que será que a gente chama aquele exercício de polichinelo? Pelo menos, nos anos 80 a gente chamava assim. Agora deve ter um nome mais técnico, de crossfit. Tipo “salto com extensão posterior e inferior”. Procurei uma explicação, mas não descobri nada de convincente sobre a origem etimológica do exercício. Imagino que tenha algo a ver com o personagem de commedia dell’arte, mas minha teoria ainda é muito nebulosa. Alguém precisa fazer uma pesquisa séria sobre isso. Não descobri a origem, mas descobri que o recorde de polichinelos é de 2011, e são 97 polichinelos em um minuto. Igualado, mas não ultrapassado, em 2018. Ou seja, levou sete anos pra alguém conseguir fazer 97 polichinelos novamente. Você, que está começando o crossfit, já tem uma meta, aí. Será que crossfit já saiu de moda?
Essa conversa abriu meu apetite. E não tem nada na geladeira. Sim, acabei de fazer compras, mas para evitar ficar comendo o dia inteiro, não compro coisas gostosas. Que horror! Quero dizer, tem coisas boas. Legumes, frutas, essas coisas. Mas nada de beliscável. Se eu quiser, vou ter que fazer meu próprio biscoito para o café da tarde. Como se fazia na idade média. São minhas técnicas de dissuasão da gula. Às vezes funciona, outras vezes vou no supermercado de novo, apenas pra comprar um pacote das bolachas mais podres que encontrar. E que desaparecem quase instantaneamente. Porque se tem algo que eu sei fazer é comer sem mastigar. Mas ultimamente, não consigo deixar de pensar no camarão no intestino do presidente de vocês. Fico com vergonha de mim, por ter algo em comum com ele. Por favor, André, mude!
Então... essa história de não ter comida gostosa em casa é verdade. Preciso de muita força de vontade para manter uma dieta equilibrada. Quem me conhece, sabe que posso passar anos (sim, anos) me alimentando de bolachas recheadas ou outra coisa do tipo. De onde será que vem isso? É tipo a coisa de deixar comida no prato. Em algum momento da vida, alguém me disse que era mais chique deixar um pouco de comida no prato. Mas não consigo! E, por mim, comeria o que sobrou do prato do outro também! De qualquer forma, não acho especialmente chique, deixar comida no prato. E minha mãe me colocava pressão pra terminar, não o que sobrava no meu prato (pois nunca sobrava), mas o que sobrava nas panelas. Eu podia já ter comido quatro pratos de feijão com arroz, três bifes e meio quilo de batatas, não importa, ela sempre ia dizer “mas tu vai deixar sobrar só isso?”.
Como resistir ao apelo de uma mãe, não é mesmo?
Putz, esqueci de comprar ovo. Até amanhã.
Engraçado... Temos mesmo muitos pontos em comum, você e eu. Faz tempo que o nome desse exercício me salta aos ouvidos também. Acho que desde que Aline, minha filha, começou a fazer polichinelos compulsivamente dentro de casa. Essa mania começou no primeiro mês de pandemia, durante o primeiro confinamento. Exercício prático e eficaz pra fazer dentro de um apartamento. E ela contava, enquanto fazia, tentando ultrapassar seu próprio record ! Eu às vezes me aventurava com ela e podia então sentir verdadeiramente o quão eficaz é o tal polichinelo. Será que vem de “vários chinelos”? A imagem que me vem é aquele boneco de papel de antigamente, que a gente puxa uma cordinha e braços e pernas se abrem simultaneamente, sabe? Será que vem daí? Olha que curioso, outro dia, vendo uma aula de ginástica no youtube (que meus alunos de Pilates não me ouçam!), na hora do tal polichinelo, o professor falou «e agora: jumping Jack” e começou a pular fazendo polichinelo! Ah! Sempre me perguntei como se chamava esse exercício em francês, agora sei que se fala como em inglês, Jumping Jack. Mas vem cá... quem será esse Jack?
ResponderExcluirDepois te conto se a vizinha de baixo gosta desse exercício...
Aline fitness, crossfiteira, pilateira! Que amor, inventando formas de gastar energia durante a pandemia. A vizinha deve ter adorado :)
ResponderExcluirKkkk Kkkk Kkkk...tbm tenho tido que anotar tudo pra não esquecer no momento seguinte...kkkkkkkk é a amingo..a idade chegando..kkkkkkkk...e "conseguir comer sem mastigar ", kkkk kkkkkkkk..somente um bom taurino mesmo...kkkkkkkk..
ResponderExcluirHuahuahua... vi agora sua mensagem! Pois é... daqui a pouco vou ter que começar a comer papinhas, pra nao engolir tudo inteiro 😨
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