Boletim de Ocorrências #19
Agora, para me estimular a escrever algo edificante, ou pleno de dinamismo, estou cantarolando para mim mesmo a música do De volta para o futuro. Isso é suposto me deixar cheio de energia. Nada melhor do que um fundo musical heroico para ajudar a gente a vencer o medo de não ter nada pra escrever. E mais uma vez eu provo para quem quiser ler isso aqui, que meu repertório de referências culturais é meio cagado. Ah, mas é assim mesmo, cresci nos anos 80.
Peraí. Heroico não tem acento? Nunca teve ou faz parte do novo acordo ortográfico? Acordo que de "novo" só tem o nome, já que é de 1990, né. É cringe.
Mas deve ser uma daquelas regras antigas, do tipo ditongo aberto em sei lá o quê, ou hiatos. Pessoalmente, gostei de aprender as regras de acentuação no colégio. Porque entendi que os acentos não eram aleatórios. Me senti como se eu tivesse sido iniciado no grupo seleto dos que conhecem o mistério da língua.
Já não lembro de todas as regras, mas o mais importante é que os acentos são usados nos casos mais raros. Ou seja, um princípio de facilidade, pra gente não ter que ficar acentuando tudo, por aí, como em francês. Por exemplo: todas as proparoxítonas são acentuadas porque existem muito menos proparoxítonas do que paroxítonas, em português. Bom, essa é fácil.
Mas tinha uma regra das palavras
que terminam com certas letras. Minha professora, a Inês, que além de me iniciar no grupo seleto dos que conhecem o mistério da língua, me fez
descobrir o teatro (obrigado professora Inês, mudou minha vida), nos ensinou
uma sigla que não fazia nenhum sentido, mas que nunca esqueci: Liga Nacional do
Raio X PS. Então, tátil, abdômen, zíper, tórax e bíceps, que terminam com essas letras, entram nessa regra. E meu imaginário lexical está bem sensual…
Essa foto é de 12 anos atrás. Uma relíquia. Isso é o que se chama pretérito perfeito. Aliás, os nomes dos tempos verbais me inspiram muito. Vou falar disso, um dia desses.
Mas acabo de ver que, sim, heroico tinha acento. Antes do acordo. No meu tempo. E era a tal regra do ditongo aberto em oi. Caiu. Não tem mais. Ou seja, já não faço mais parte do grupo seleto dos iniciados no mistério da língua. Não sobrevivo mais sem o corretor ortográfico do computador.
Olha, que volta eu dei! Até que um dos assuntos que eu queria falar hoje tinha relação com acentos, mas nada a ver com as regras. É que meu computador não tem a tecla do acento agudo. Dependo da boa vontade de estranhos para acentuar o aeiou. Neste caso, a boa vontade daqueles que desenvolveram o corretor ortográfico. Claro, nem sempre ele corrige tudo. E para esses casos, eu deixo um aeiou prontinho, já acentuado, guardado em algum documento, que eu copio e colo nos meus textos. Dá um pouco mais de trabalho e exige um pouco mais de atenção, mas funciona. Na maior parte do tempo. Então, se faltar algum acento aqui, você já sabe o porquê. Não é apenas ignorância.
Sério que era esse o assunto que eu queria falar? Toda uma trilha sonora revigorante (e heroica, sem acento) para escrever esse parágrafo aí de cima? Meu deus, onde é que nós chegamos! Realmente, preciso rever este compromisso de escrever de segunda a sexta. Pelo bem dos meus oito leitores.
Notem que estou sendo otimista. Comecei a semana falando com seis leitores. Agora, acho que são oito. Deixa eu contar, aqui. Duas amigas na França, uma aminga e uma prima no Brasil são os leitores regulares. Opa, as leitoras regulares. Se a gente começar a usar o masculino genérico até quando se trata apenas de mulheres, a coisa não vai pra frente mesmo! As outras quatro pessoas seriam fruto do meu sucesso. Ou da minha imaginação.
Olha só, estou sendo otimista, aumentando estatísticas a meu favor e acreditando no sucesso. Ou no poder da imaginação. Não é que a trilha do De volta para o futuro funcionou? Me deixou pleno de dinamismo. Cheio de energia.
É primavera e começou a nevar. Vou fazer a janta. Até segunda.

Quero me encontrar, mas não sei onde estou
ResponderExcluirVem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui
… Acho que gosto de São Paulo
Gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas
… Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio
Não sei mais o que dizer
… Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigo
E me diz, pra mim o que é que ficou?
… Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
Você não quis tentar me ajudar
Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?
… Eu canto em português errado
Acho que o imperfeito não participa do passado
Troco as pessoas
Troco os pronomes
… Preciso de oxigênio, preciso ter amigos
Preciso ter dinheiro, preciso de carinho
Acho que te amava, agora acho que te odeio
São tudo pequenas coisas e tudo deve passar
… Acho que gosto de São Paulo
E gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas
Me lembrei dessa música... meninos e meninas, lembra?...
ResponderExcluir… Eu canto em português errado
Acho que o imperfeito não participa do passado
Troco as pessoas
Troco os pronomes
… Preciso de oxigênio, preciso ter amigos
Preciso ter dinheiro, preciso de carinho
Acho que te amava, agora acho que te odeio
São tudo pequenas coisas e tudo deve passar
… Acho que gosto de São Paulo
E gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas
Adoro... acabo de fazer uma sessão nostalgia, ouvindo Legião :)
ExcluirTudo bem aceito entrar no gênero feminino, kkkk..já que contou some uma aminga. Será que serei "heróico" por isso ou somente velho por escrever com acento? Kkkk Kkkk...
ResponderExcluirBom, parece que não sou muito bom em fazer contas... Que bom que você está por aqui, AMINGUE !
Excluir