Boletim de Ocorrências #23

Poxa, pensei em duas coisas sobre as quais queria falar aqui. Uma, não quero falar hoje. Estou cansado e gostaria de um assunto mais leve. A outra, esqueci. Como sempre. De qualquer forma, acho que também não era um assunto muito leve. Estou cansado, mesmo, e hoje é apenas quinta. Amanhã, trabalho também. E o fim de semana só vai servir pra eu ficar pronto pra trabalhar de novo na semana que vem. É isso a vida? Trabalhar até cansar e ter folga apenas o suficiente para poder trabalhar mais? Sem ter tempo realmente para pensar na vida. Para aproveitar a vida. Para viver? Is this real life? Estou me sentindo que nem aquele menino, depois da anestesia no dentista. Não estou acreditando nessa realidade.

Mas agora que comecei, vou tentar ir até o fim. E essa história de estar cansado tem a ver com o assunto que eu tinha esquecido. Mas nem sei direito o que era. O assunto é minha experiência no mundo empresarial. No mundo do trabalho. Minha experiência enquanto trabalhador e também como espectador dos outros trabalhadores. Será que um boletim de uma página aguenta tanta amargura?

Gente, que horror esse mundo. Suponho que todos nós, ou a maioria de nós, têm consciência que essas mega empresas e plataformas de aplicativos são uma exploração desavergonhada das pessoas. Mas na verdade, todo trabalho em uma empresa é assim. A partir do momento em que continue sendo lucrativo, está tudo bem para elas. Apenas, em algumas, isso é mais disfarçado, menos evidente. Para a empresa, somos formigas que podem trabalhar até morrer, pois já vem outra, rapidinho, depois da gente. Somos peças que devem ser usadas até quebrar e ser substituídas por outra. Podemos até ser peças de baixa qualidade, não importa. O que importa é usar a gente até quebrar. E depois jogar fora. Tirar todo o suquinho que tiver dentro de você. Que não te sobrem forças para levantar a mão e pedir a palavra. Que não te sobre energia, nem moral, nem vontade, nem fé, para tomar a palavra ou partir para a ação. Aliás, essas últimas frases poderiam ser o lema no estandarte da união secreta das empresas: “Que não lhes sobrem forças”.

Parabéns André, você acaba de lançar as bases de uma nova teoria socioeconômica. Vamos chamá-la de marxismo.

Bom... Dá pra ver, que essa história de trabalhar, talvez não seja muito a minha praia.

Ai, quero mudar de assunto, estou tentando, mas até pra isso estou sem forças. Minha cabeça não está naquela onda de ficar divagando sem parar, como ela faz normalmente. Quem diria que eu sentiria falta justamente da minha dispersão! Parece que o jogo virou, não é mesmo?

Agora pensei que talvez seja por causa dessa dispersão que eu preciso me concentrar tanto quando assisto a uma aula. Anoto absolutamente TUDO o que o professor diz, mesmo sem entender nada. Entra pelo ouvido e sai pela mão, direto no caderno. Não passa pelo cérebro. Mas acabei de me dar conta que gosto desse método de trabalho (olha o trabalho aí de novo, querendo se meter na conversa) porque ele cala a minha dispersão. Estar na aula, ouvindo tudo e, sobretudo, anotando tudo, é uma forma de ficar um pouco no silêncio.

E de tirar nota boa na prova, né. Porque ouvir, anotar e, depois, passar a limpo, me ajudava a memorizar temporariamente as coisas. E cumprir a meta da nota boa na prova. Hum... será que esse esforço em cumprir a meta na escola tem a ver com o mundo do trabalho? Com o condicionamento de querer fazer tudo bem feito, inclusive se as condições não forem ideais ou mesmo, se elas forem contrárias à produtividade?

Bom, vou parar por aqui e continuar amanhã. Se eu tiver forças.

Comentários

  1. Sempre foste o cara inteligente e das notS boas, quando a amar o trabalho… tem tanta coisa melhor né kkk . Bj

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    1. Com certeza tem... queijo, vinho, cinema, amigos, viagens. Não necessariamente nesta ordem :)

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  2. Obrigado por expressar o que também estava minando minha cabeça por esses dias. "A vida é isso?" Por isso a decisão de sair daqui..vc sabe onde..apesar de ser um dinheiro significativo, pra mim, a menos.

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    1. Uma boa mudança, essa. E o melhor... você está saindo para continuar o seu próprio caminho. Aquele para o qual você foi feito e que, espero, também vai ser lucrativo :)

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